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Bom de briga, mas apaixonado pelo cinema.

"Por Pedro Moreira"

Gabriel de Assis Vianna é mineiro de Itabira. Ainda pequeno, assistiu a sequência de filmes "Karatê Kid", numa de suas incontáveis exibições na Sessão da Tarde, e começou a se interessar pelas artes marciais. Muitos foram os garotos da década de oitenta que cresceram sonhando lutar como o jovem Daniel San, o protagonista da história, vivido por Ralph Macchio,  que, por influência  de seu mestre, o inesquecível e excêntrico Senhor Miyagi, de Pat Morita, torna-se um campeão da luta oriental. Pat Morita teve sua atuação como o treinador boa-praça indicada ao Oscar de 1984 na categoria de ator coadjuvante. Atualmente, Ralph Macchio pode ser visto no elenco do seriado americado "Ugly Beth", exibido na tv aberta pelo SBT.  

Melhor influência para Gabriel, impossível. Até hoje o filme, que rendeu três continuações, é considerado um ótimo exemplo para as crianças e jovens, por valorizar o auto-conhecimento e amadurecimento conseguidos com a prática das artes marciais. Foi assim que, aos 10 anos, Daniel... ops! Gabriel começou a treinar Karatê numa academia de Itabira. O sonho de menino teve um pequeno atropelo quando seu professor deixou de atuar na cidade e ele se viu sem ter com quem treinar.

Mais tarde, aos 12 anos, com um novo professor, nosso campeão decide tentar o Kick Boxing. Ainda criança, consegue chegar à faixa verde, que é a quarta na sequência de graduação do esporte. Ele já começa a pensar em participar dos campeonatos e competições, mas não consegue filiar-se às entidades responsáveis porque seu professor era associado à federação do  Espírito Santo. Entretanto, mais uma vez, Gabriel não pode contar com a dedicação oriental típica do Sr. Miyagi e fica, novamente sem treinador. Nesta época, ficou três anos parado, dedicando-se apenas às atribuições normais dos garotos da sua idade.

Em 2006 volta a treinar Kick Boxing e já no ano seguinte, com dezoito anos, vence o Campeonato Mineiro, cuja edição foi realizada em Contagem.

No mesmo ano, participou do Campeonato Brasileiro, no qual competiria em duas modalidades. Mas  uma rinite alérgica o levou ao nocaute e Gabriel só participou de duas lutas. Será que a famigerada poeira da mineração em Itabira pode ser responsabilizada?

Ainda em 2007, conquista o Vice-campeonato da Copa Uberlândia de Kick Boxing, na categoria Light Contact. Nesta categoria, o objetivo é marcar pontos com golpes leves e chutes acima da linha da cintura.

Com a participação em competições oficiais aumentando, Gabriel Assis começa a sentir a principal dificuldade dos jovens atletas brasileiros, que é a falta de financiamento. Para competir em Uberlândia, por exemplo, ele aproveitou-se da coincidência dos Jogos do Interior de Minas (JIMI),que aconteceram na mesma cidade, e viajou de carona com os estudantes de Itabira.

Em 2008, por falta de patrocínio, deixou de participar do Campeonato Mineiro, também realizado em Uberlândia. Mas o ano não passou em branco na carreira deste jovem atleta. Ele começa a dar aulas de seu esporte na Academia Régis Dance. Esta academia tornou-se uma parceira, permitindo que Gabriel treinasse, sem custos, seu condicionamento físico.  No segundo semestre ele participou de um curso da Federação Brasileira de Box, realizado em Cabreúva, no interior de São Paulo, ministrado por vários técnicos do país, responsáveis pela Seleção Brasileira do esporte.

No ano seguinte, em 2009, Gabriel leva, pela primeira vez, um aluno seu para participar do Campeonato Mineiro, realizado em Divinópolis. Lá, Rafael Beletable Costa e Silva, então com 17 anos, vence duas lutas. Até os 17 anos, além da graduação de faixas, as categorias levam em conta a idade, o peso e a altura do atleta. A partir daí, começam as categorias adultas, nas quais contam apenas o peso e a graduação.

Na mesma ocasião, Gabriel vence mais um Campeonato Mineiro, desta vez na categoria Full Contact, e garante o Vice-Campeonato na categoria Light Contact. No Full Contact, os atletas têm como objetivo o nocaute e não apenas a marcação de pontos. Para esta competição, ele consegue o apoio da Secretaria de Esporte e Lazer de Itabira (SMEL), que sede um veículo para a viagem. Durante o campeonato, ele gradua-se no curso de árbitro de Kick Boxing.

Ainda no ano passado, Gabriel participa de mais um curso. Dessa vez com técnicos da seleção francesa de Box Savate, no Rio de Janeiro, estado onde este tipo de luta é mais popular. Esta modalidade do box concentra a atuação do competidor nos chutes, que devem ser dados com os pés e não com a canela. A finalização dos ataques se dá com os socos. No Kick Boxing é o contrário, o chute serve para finalizar a investida de socos contra o adversário, e pode-se usar os joelhos. No Box Savate, a graduação é pela cor das luvas. Este curso rendeu-lhe a luva amarela, que corresponde à faixa marrom, além de habilitá-lo como árbitro internacional. Hoje ele também é o vice-presidente da Federal Mineira de Boxe Francês Savate.

 

 

Gabriel conta que sempre teve o incentivo da família. Sua mãe, embora não gostasse muito da atividade escolhida pelo filho, por achar que era um esporte violento, sempre o apoiou. Mas com o passar do tempo, Gabriel acredita que ela passou a entender melhor a competição, que tem muitas regras. Em determinadas modalidades, prevalesse  mais a utilização de técnicas sobre a força, propriamente dita.

Para ele, o receio de sua mãe também pode ser explicado pela certa confusão que as pessoas fazem sobre as competições de luta. Sobretudo pelo fato do Kick Boxing fazer parte do MMA - Mix Marcial Arts, que em português significa algo como mistura de artes marciais. O MMA foi, por muito tempo, conhecido por vale-tudo. O termo buscava informar que valiam, ou seja, poderiam ser empregadas, várias técnicas de luta, como o jiu-jitsu, o muai-thay, o box. Mas quem não fazia parte do meio passou a imaginar que não haveriam regras. O que, para ele, gerou muito preconceito, quando ocorre justamente o contrário. No MMA há muitas regras a serem seguidas durante uma luta.

Isso tem mudado com a transmissão pelos canais de tv aberta dos últimos campeonatos internacionais, nos quais, é importante dizer, a participação de brasileiros é sempre expressiva. Com isso, acredita Gabriel, o esporte vai se tornar mais conhecido e popular no Brasil, o que pode se reverter em mais apoio.

Atualmente o atleta itabirano mantém sua própria equipe, a Top Combat Team, do qual é técnico. A equipe treina, além do Kick Boxing, o Boxe Francês Savate, o Boxe tradicional (pugilismo inglês) e MMA. Ele tenta conciliar os treinos e a atuação como técnico com a Faculdade de Educação Física, da qual está cursando o terceiro período, na Unipac de Itabira.

Para este ano, como próximos projetos, estão previstos um seminário com o introdutor do Box Savate no Brasil, que ocorrerá no Rio de Janeiro, a Taça Minas Gerais de Boxe Francês Savate e a 1ª Copa Itabirana de Boxe Frances Savate, quando Gabriel deve ministrar, juntamente com o presidente da Federação Mineira, um seminário na cidade.

Gabriel ainda arruma tempo para treinar com o primeiro time de Futebol Americano da região, o Itabira Dragões ValérioDoce, organizado por ele. Mais uma vez influenciado pelo cinema, onde são comuns os times dos colégios e universidades americanas, nosso jovem de 22 anos tomou a iniciativa de trazer o esporte para a terra de Drummond e tem mantido treinos relativamente constantes no campo do Valério Esporte Clube, aos sábados a partir das 14 horas. Mas isso é assunto para uma próxima conversa.

 Lutador e documentarista

 Toda essa influência no cinema na vida de Gabriel também serviu para atraí-lo à sétima arte. Ele participa desde a segunda edição da Mostra de Cinema Pedra que Brilha, assistindo várias oficinas. Em 2007 chegou a dirigir um curta-metragem, o documentário "Camaco", que abordava a história desta linguagem que foi desenvolvida e utilizada pelos primeiros trabalhadores da mineração na cidade, quando não queriam que os patrões soubessem do que estavam falando. Neste mesmo ano, participou, também de um curta de animação e de outro baseado na obra "Vidas Secas". Em 2008, durante uma oficina do Festival de Inverno de Itabira, ajudou a realizar mais um documentário, sobre o rádio, no qual foram entrevistados vários profissionais deste veículo na cidade, além de ter realizado um clipe para o grupo de hap itabirano "Máfia NVS", em parceria com o vocalita Manu, que foi seu colega de oficina.

E não é que o atual campeão estadual de Kick Boxing também ataca de fotógrafo? Em seu perfil no orkut é possível conferir interessantes cliques disparados por ele durante a oficina de fotografia ministrada pelo fotógrafo Roneijober Andrade, durante o Festival de Inverno do ano passado. Ele afirma que é importante aprimorar um olhar fotográfico para poder aplicá-lo na paixão pelo vídeo. "Pretendo montar um grupo para participar dos editais das leis de incentivo à cultura e tentar financiamento para uma iniciativa em cinema" – diz.

É bom que Gabriel e os demais fãs saibam que em 2009 começou a ser rodado na China o remake de Karatê Kid. O filme será estrelado por Jackie Chan e o jovem Jaden Smith, filho do astro Will Smith. A previsão é que seja lançado em agosto de 2010.

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