
Outra importante edificação que existiu no Vale do Jirau foi a Fazenda do Pontal ou Fazenda dos Doze Vinténs, que pertenceu a Carlos de Paula Andrade, pai do poeta Carlos Drummond de Andrade, que possuía também a Fazenda Retiro dos Angicos em Srª. Do Carmo e os sítios Serro Verde e Serro Azul.
O próprio poeta faz o inventário da propriedade:
Lembro-me de sua descrição, feita no começo desde século, bastante enfática (voz do dono...):
“compreende uma área de 200 alqueires em campos de ótima qualidade, com pastagem de capim gordura e grande parte do capim jaraguá. Os 100 alqueires restantes acham-se ainda em matas e capoeiras de superior qualidade para a cultura, contendo grande quantidade de madeira de lei. Existem 20.000 pés de café, ocupando uma área de 5 alqueires. A propriedade acha-se fechada a valo, tendo diversos apartadores.
É servida por excelentes aguadas, movendo a mais alta um engenho de serrar madeira, e a outra, igualmente abundante, um engenho de socar café e um moinho.
“A casa de vivenda é magnífica, sendo um sobrado de 6 palmos de frente por 40 de fundo, com dois de andares na frente e três no fundo, todo forrado e assoalhado de tábuas. Os cômodos são amplos e arejados, com janelas envidraçadas, portais e portas pintadas a óleo, sendo as paredes e os cômodos superiores forrados a papel”.
A antiga Fazenda do Pontal, edificada em 1871, por Carlos de Paula Andrade, foi vendida, na década de 1950, para a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira; na década de 1970, foi adquirida pela Companhia Vale do Rio Doce para a construção de uma barragem de contenção de rejeitos, condenando o casarão à demolição. Nesse processo, as peças foram numeradas e guardadas e o casarão, reconstruído e inaugurado em 31 de outubro de 2004, abriga o centro Cultural Fazenda do Pontal.
E o poeta, sabiamente, pontua as causas do declínio da Fazenda do Pontal:
Minha geração ao final do processo de dissolução da propriedade rural, patrimônio tradicional de clãs, em troca de industrialização e uma urbanização que aumenta o número de pobres e só distribuíram felicidade a pouca gente […] Fala-se muito em dar prioridade à agricultura, nos planos de ação governamental, mas resta apurar até que ponto as palavras correspondem aos atos. Numa época de “pensar grande”, talvez não se dê a devida atenção à média e à pequena propriedade, que constituem o núcleo fundamental da vida pastoril e agrícola brasileira. Quanta gente desistiu de cultivar o solo por falta de condições mínimas de financiamento e escoamento da produção?
Por outra causa não desapareceu a bonita Fazenda do Pontal, além da falta de estímulo à atividade no campo.
Saiba mais detalhes em
A IDENTIDADE DO ESPAÇO RURAL ITABIRANO: Percursos Novos em Caminhos Antigos, de Myriam Becho Mota e Santos de Souza Guerra, págs. 185/186.
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