
Antes de retornar à viagem pelo Rio do Peixe, esta história faz uma pequena parada na área urbana, especificamente nos bairros Água Fresca e Praia, em busca de duas edificações há muito desaparecidas, a Fazenda Água Fresca e a Fazenda Santa Fé.
Fazenda Água Fresca
Construída no final do século XIX, a Fazenda Água Fresca foi propriedade do Coronel Juca Machado. Fazendeiro que possuía vários imóveis no atual centro de Itabira e foi herdada por sua filha Maria Bernadina da Costa Lage, que posteriormente doou a seu filho Waldemar de Alvarenga Lage Filho. A fazenda se mantinha com a criação de burros que eram vendidos para os tropeiros que aqui moravam ou por aqui passavam. A fazenda teve um grande período de produção: criação de gado, plantação de café para o comércio interno, até 1948 e criação de porcos, além de uma grande horta e pomar.
Hoje o local onde a fazenda se encontra está totalmente urbanizado devido ao crescimento da cidade naquela direção e cria-se apenas gado. A sede da fazenda foi desativada em 1987.
Acredita-se que o nome "Água Fresca" seja proveniente de uma bica que tinha debaixo de um bambuzal e que mantinha a água sempre fresca. Esta bica situava-se na atual Rua Tabelião Waldemar de Alvarenga Lage e já foi canalizada.
A residência de partido regular, com um pavimento ligeiramente acima do nível da rua, possui um porão na parte anterior, aproveitando o declive do terreno, hoje utilizado como garagem. Originalmente com 6 cômodos (4 quartos, sala e cozinha), recebeu um acréscimo posterior, há aproximadamente 30 anos (-1970), com uma cozinha e banheiro e a antiga cozinha se transformou em copa (...)
A Fazenda Água Fresca, nas mãos da mesma família há mais de um século, ao que tudo indica, é parte integrante de uma grande propriedade da família Costa Lage, abrangendo as Fazendas Capão, Sociedade, Rio do Peixe e Cedro.
Como já havia sido desativada em 1987 e, sem interesse pela preservação, a sede foi demolida em 2006 mais uma importante parte da memória histórica do Vale de Rio do Peixe se perdeu.
Quinta Santa Fé
Ainda no espaço hoje ocupado pelo perímetro urbano de Itabira, às margens do córrego da Praia, que recebera as águas do Córrego Água Santa e do Córrego da Penha, registra-se a presença de uma fazenda, cuja sede e denominação não mais existem: a Quinta Santa Fé, que pertenceu ao Mons. Júlio Engrácia e, posteriormente a Francisco de Paula Andrade (France Andrade), de cuja biografia retiramos a seguinte referência:
“Quando do seu retorno a Itabira France Andrade adquiriu do Mons. Júlio Engrácia uma pequena propriedade situada no bairro Praia denominada "Quinta Santa Fé". Apesar de sua pequena área, a fazenda, bem administrada, passou por uma fase de prosperidade, quando fornecia aos consumidores da cidade produtos básicos de alimentação, tais como leite, queijo, frutas, legumes e cereais”.
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