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FAZENDA SANTA CATARINA

O córrego Santo Antônio, a essa altura, já escavou um vale um pouco mais largo e se tornou menos meandrante, terraceando uma grande baixada de aluvião formada pela deposição sedimentar feita ao longo dos anos. Os arredores são dominados por morros arredondados cobertos por pastagens. Da vegetação original que cobria o topo dos morros, pouco restou.

Da antiga edificação-sede da Fazenda Santa Catarina, demolida em 1988, restaram algumas ruínas (alicerce da casa e do curral; parte do paiol, transformado em comércio e a capela). Fotografia de 1982, as ruínas ainda existentes, o restante do paiol e depoimentos da proprietária atual permitem reconstituir um pouco das características da construção que apresentava volumetria de 02 pavimentos, varanda frontal, vedação de pau-a-pique, embasamento de pedras secas, janelas de madeira de abrir com guilhotina de vidro. A pintura seguia as cores da capela em uma coloração ocre. Segundo informação da atual proprietária, a construção era composta de 13 dormitórios e 4 salas

A edificação teria sido erguida no século XIX e o seu primeiro proprietário teria sido o Sr. Cristóvão Moreira Teixeira Pena, tendo sido posteriormente passada a Matheus de Castro Pena.

Em 1988, segundo a atual proprietária, a construção, que ainda se achava em bom estado de conservação, foi demolida e vendida para desmanche a um proprietário de terras de Matozinhos que lá edificou uma casa com o que foi demolido.

Em relação à capela, parte integrante e indissociável da antiga construção talvez pelo que representa, conseguiu subsistir ao tempo. Inventário feito em 1988, pela prefeitura de Itabira, faz a seguinte descrição da construção:

A antiga sede, presumivelmente construída em princípios do século XIX, foi demolida na década de 80, tendo sido preservada a capela da fazenda datada de 1898, segundo inscrição existente atrás do altar mor.

A capela e a atual sede implantaram-se em área plana de grande beleza paisagística onde amplo gramado natural compõe o entorno. Defronte a capela o cruzeiro erguido em blocos de pedra demarcam e conformam pequeno adro, separado por arrimo de pedra que serve ao curral fronteiro.

O sistema construtivo é feito em estrutura autônoma de madeira sobre embasamento em pedra e vedação em alvenaria de adobe e/ou pau-a-pique sendo a cobertura em 2 águas de telhas curvas. Esta apresenta galbo e guarda-pó em frisos sobre cachorrada aparente. Os vãos emolduram-se em madeira possuindo verga em ogiva e vedação e madeira tipo calha em almofadas, na porta central, e em ressaltos moldurados nos vãos das janelas.

As fachadas mostram-se limpas de ornamentos sendo a principal marcada por porta central em ogiva com veneziana ladrada de janelas. O partido/volumetria, definidos pela planta em nave única com sacristia transversal, mostra-se bastante simples bem como a ornamentação inteira. O interior recebe piso tabuado corrido; supedâneo contornado de balaustres recortados; barrados em pintura de carimbo; e forro em abóboda facetada em frisos de madeira tipo saia e camisa. O altar mor, em madeira, recebe inscrições em latim e francês encontrando-se em bom estado de conservação. No conjunto, a capela está em regular estado de conservação tendo registro de infiltrações, quedas de revestimentos e ataques de insetos Xipófagos.  

A caracterização feita em 1988 continua válida, exceção feita ao "piso em tabuado corrido" substituído, em reforma posterior à data do inventário, por cerâmica e o telhado de "telhas curvas" também substituídas na reforma.

Ainda em relação à capela, Acha fez a seguinte anotação que testemunha sua importância:

Há três ermidas além de uma outra em projecto para capella filial: a da fazenda S. Catarina [...] A primeira (Sta. Catarina) está em frente à fazenda tem o necessário para celebração da missa bem ornada e são sepultados nela pessoas da família. Somente dista da Matriz duas e meia legoas. (1923, p.3)

Ao se retirar o tabuado e substituí-lo por cerâmica, apagou-se parte da memória, uma vez que impossibilitou a visualização das sepulturas colocadas no piso da capela.

 

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