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Fazendas Vargem Alegre, Limoeiro e Santa Rosa

As Fazendas Vargem Alegre, Limoeiro e Santa Rosa: exemplos de perdas do patrimônio.

As fazendas Vargem Alegre, Limoeiro e Santa Rosa, todas demolidas, foram das mais promissoras propriedades do vale do Ribeirão do Macuco.

Fazenda Vargem Alegre

A Fazenda Vargem Alegre, da qual não foi possível registrar nem mesmo as ruínas, situava-se na localidade conhecida como "Vargem Alegre", nas proximidades do povoado de São José do Macuco.

Inventário realizado pela Prefeitura Municipal de Itabira, datado de 30/11/1988, faz a seguinte descrição da edificação:


A edificação sede da fazenda Vargem Alegre tem sua construção presumivelmente datada de finais do século XIX, implantando-se em alta vertente da colina que domina vasta paisagem natural.

O partido arquitetônico adotado mostra-se típico construído de corpo principal retangular ou habitação e prolongamento lateral ladeando pátio ou serviço. Sob o corpo principal do porão mostra-se utilizado como depósito. O sistema construtivo baseia-se em estrutura autônoma de madeira, vedação em alvenaria de pau-a-pique e cobertura em telhas cerâmicas curvas adotando 4 águas no corpo principal e duas águas de prolongamento. Os vãos, em verga reta, recebem vedação em folha cega tipo calha.

A fachada principal mostra patamar de arrimo em pedra-seca e escadaria externa também em pedra dando acesso a varanda/alpendre. Esta modulada pelos esteios estruturais da cobertura recebe balaústres em réguas de madeira entalados. Os panos de alvenaria são marcados pela estrutura aparente recebendo modulação e envasadura, ordenadas.

A edificação encontra-se em estado precário de conservação recomendando-se intervenção imediata no tocante à reconstituição e proteção dos panos de alvenaria.

Não houve tempo para que se cumprisse a recomendação de intervenção imediata e a edificação foi demolida e parte da história tombou, definitivamente.


A Fazenda Vargem Alegre tinha sua economia baseada na criação de gado, no cultivo de cana e na produção de cachaça. A cachaça produzida na fazenda recebia o nome de "A Solteirona", alusão à proprietária, a Sra. Maria Raimunda Pessoa (Tatá), que não se casou e, nos dias de festa, dirigia-se para Ipoema em seu Jeep, com motorista e tudo, bem maquiada e bem perfumada.

Fazenda do Limoeiro

 

A Fazenda Limoeiro, antiga propriedade de Domingos Araújo Lima, também pertenceu a José Simões Gonçalves (Zezim Simão), da qual pouco se tem notícia e quase nada de sua história pôde aqui ser reconstituída.

Fazenda Santa Rosa


Da Fazenda Santa Rosa, antiga edificação localizada na confluência do Ribeirão do Macuco com o rio Quebra-Ossos ou Ribeirão Aliança, restam apenas ruínas.


A sede era uma edificação, provavelmente, de fins do século XVIII, que pertenceu ao Capitão João Afonso Pereira Chaves, Manoel Moreira Teixeira Pena "Neca Pena" e ao Sr. José Simões Gonçalves (Zezim Simão).

Segundo descrição feita pela Prefeitura de Itabira, em 1988:

A antiga sede da fazenda Santa Rosa, exemplar arquitetônico, presumivelmente constituído em fins do século XVIII, apresenta-se hoje em estado lastimável de ruína mostrando apenas parte do corpo edificado.

A análise arquitetônica dos vestígios construtivos revela ser a edificação de grande porte, em partido retangular, desenvolvendo-se em dois pavimentos sobre porão. O sistema construtivo mostra-se tradicional em estrutura autônoma de madeira e vedação dos panos em alvenaria de pau-a-pique. A cobertura fazia-se em 4 águas de telhas cerâmicas curvas com galbo e beiral em cachorrada. Os vãos e viga no 1º pavimento e em canga no 2º pavimento emolduravam-se em madeira e recebiam vedação em folha cega tipo calha.

A recuperação da edificação torna-se difícil devido ao adiantado estado de deterioração de seus elementos construtivos restando-nos apenas registrá-la em seu estado atual.

De fato, a edificação foi demolida e outra foi construída, aproveitando-se o material do desmanche. As ruínas das edificações de serviço, moinho, engenho, barragem para geração de energia ainda podem ser vistas, e dão uma idéia do que foi a fazenda quando em plena atividade produtiva.

Acha (1923) faz referência à Ermida da Fazenda Santa Rosa: "A Ermida da fazenda Santa Rosa, muito desleixada deteriorando-se faltando alguns objetos pertencentes à mesma e está anexa à fazenda. Sem patrimônio".

Além do patrimônio arquitetônico formado pelas fazendas e pela capela de São José, outro patrimônio igualmente importante é o conjunto paisagístico-natural que emoldura o vale, formado por belos afloramentos rochosos, nascentes e quedas d'água, além das formações florestais compostas por cerrado, campos de altitude e mata atlântica, que apresentam significativa importância ambiental.

O projeto Mosaico de Unidades de Conservação da Natureza de Itabira, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente identifica, na região, três áreas para ampliação e/ou proteção ambiental:

· Área de Proteção Ambiental Federal Morro da Pedreira, criada em 1990 para fins específicos.

· Projeto de ampliação do Parque Nacional Serra do Cipó, que possibilitaria a inclusão de áreas remanescentes de mata atlântica e cerrado aos domínios do parque e garantiria a preservação de várias nascentes tributárias do Rio Tanque.

· Projeto de Criação da Estação Ecológica Estadual da Mata do Limoeiro, com área de 135,5ha, rica em biodiversidade formada em sua maioria por remanescentes de mata atlântica com várias nascentes e cachoeiras.

O depoimento de um fazendeiro da região do Macuco representa um importante alerta que bem avalia a urgente necessidade de proteção e preservação:

Os mais novos têm a cabeça na cidade, não querem saber de roça, lidar com terra é como amansar burro dá muito trabalho. Só que hoje não se amansa burro como antigamente, se até burro tem direito a um bom tratamento, quem dirá a terra e as belezas que aí estão. Minha casa ainda estou mantendo, minha vida está aqui, quando virar o morro sei que meus filhos não vão manter, hoje o importante não é ser eterno, é ser moderno. (morador da região do Macuco, 83 anos).

 

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