
A construção, presumidamente de fins do século XIX, pertenceu ao Sr. Ramiro Lage até a década de 1940, quando foi vendida à Companhia Siderúrgica "Barão de Cocais", o que demonstra o interesse da siderurgia em adquirir terras na região para reflorestamento e produção de carvão. Em 1955, foi adquirida pelo atual proprietário, Onelvino Coelho Jácome, que a comprou do Sr. José Simão Gonçalves.
O nome da cachoeira Alta deve-se à cachoeira existente na Serra do Macuco, uma bela escarpa rochosa de onde despencam as águas a uma altura de 110 metros. Inventário realizado pela Prefeitura Municipal de Itabira, datado de 30/11/88, faz a seguinte descrição da edificação:
A Fazenda Cachoeira Alta, construída presumivelmente nos fins do século XIX, pertenceu à família de Ramiro Lage até a década de 40 quando foi vendida à "Companhia Siderúrgica Barão de Cocais". Em1960 foi adquirida pelo atual proprietário que conserva a atividade agropecuária tradicional.
Implantada em encosta, a edificação desenvolve-se em partido tradicional local adquirindo planta em "L" composta de corpo principal habitação e prolongamento ou serviço, ligados por circulação e/ou pátio. Elevada do solo por esteios, tem seu porão utilizado como depósito e garagem.
O sistema construtivo é baseado em estrutura autônoma em madeira e vedação dos panos em alvenaria de adobe e/ou pau-a-pique sendo a cobertura em telhas cerâmicas curvas. Desenvolve-se em 4 águas no corpo principal apresentando galbo e beiral em cachorros de madeira e em 2 águas no prolongamento. Os vãos em verga reta recebem vedação em calha.
A fachada principal modula-se pelos esteios que suportam a cobertura sendo o pano de fachada recuado e enquadrado por cunhais aparentes. Este recuo cria em parte do 1º pavimento e em toda a extensão do 2º pavimento varanda/alpendre cujo guarda-corpo é feito em balaustrada de réguas de madeira. A escadaria de acesso à habitação localiza-se em pequeno hall em lages de pedra sendo externa ao corpo edificado.
O antigo paiol, transformado em casa de empregados, localiza-se à direita da anterior compondo juntamente com o muro do pátio, o hall de recepção. À esquerda situa-se o curral com parte coberta em 2 águas de telhas cerâmicas curvas. A edificação encontram-se em bom estado de conservação ressaltando-se a existência na propriedade de um antigo alambique.
A Fazenda Cachoeira Alta ainda preserva várias construções originais: o curral, o paiol e o engenho. Desses, talvez o mais original, pelo que guarda de história da produção rural, seja o engenho de produção artesanal de cachaça. Trata-se de instalação simples, que utilizava os recursos naturais. A construção é feita, geralmente, aproveitando a declividade do terreno, onde a moenda para a moagem da cana é instalada na parte mais alta e as fornalhas na parte mais baixa; a garapa, produto da moagem da cana, é conduzida até o local de fermentação, no caso da produção da cachaça, por declividade, e daí para as fornalhas. Em relação à rapadura, verifica-se o mesmo processo: o caldo é transportado diretamente para as tachas, geralmente de cobre, por declividade, para aí iniciar o processo de limpeza, dando origem à rapadura. Em ambos os processos, é importante a sabedoria popular, quanto à fermentação da cachaça: o fermento feito com garapa é fubá, processo "químico" rudimentar, passado de geração em geração. No caso da rapadura, a separação das impurezas é feita utilizando-se as cascas de vegetais encontrados na região como o "carrapicho", o quiabo ou ainda as cascas de árvores conhecidas como "açoita cavalo", entre outros.
A energia utilizada é tão somente a da força física do trabalhador, a tração animal ou hidráulica, no caso dos engenhos movidos a água (roda d'água). As rodas d'água constituem mecanismos interessantes, tanto de aproveitamento da madeira, (as antigas eram construídas de madeira) quanto do aproveitamento da força hidráulica. Sua engrenagem constitui-se de uma roda assentada em um eixo central que gira em atrito com a água, gira a roda e move a engrenagem do engenho. Em toda a região rural de Itabira, existiam artesãos aptos a fazer esse tipo de mecanismo; o seu desuso, com o advento da energia elétrica e com o processo de modernização da produção rural, favoreceu a extinção de tais profissionais. Como no dizer do seu proprietário: "Fazer uma roda de madeira hoje é muito difícil, não tem madeira e o povo também não sabe construir". Na fazenda Cachoeira Alta a roda de madeira foi substituída por uma de metal.
O Paiol, construção de estilo rústico, à esquerda da casa, está perfeitamente integrado à paisagem. Suspenso do solo por esteios de madeira para proteger os mantimentos dos roedores e da umidade, é utilizado também para guardar insumos e ferramentas. É uma construção mista de adobe, pau-a-pique e madeira (tábuas). Um outro paiol menor, construído posteriormente, suspenso do solo por vigas de madeira e cercado de bambu, é utilizado somente para guardar o milho. Os balaios de taquara ou bambu ainda são bastante utilizados no transporte e armazenamento de produtos agrícolas.
O carro de boi, veículo de tração animal amplamente utilizado no transporte rural, praticamente desapareceu das fazendas e das estradas. O advento do automóvel e sua popularização, a partir da década de 1970, rompeu com o padrão tradicional de transporte assentado na tração animal: carro de boi, carroça, charrete e a zorra. Essa última, talvez umas das formas mais rústicas de transporte, consiste tão somente em uma espécie de "recipiente" sem rodas, atrelado a bois ou muares que a arrastavam juntamente com o que é transportado, geralmente lenha ou toras de madeira.
A partir das décadas de 1960 e 1970, todo fazendeiro que se prezasse possuía um Jeep para transporte e uma Rural Willis para passeio. Na Fazenda Cachoeira Alta, o carro-de-boi está lá, num canto, já não canta nem encanta. As profissões de carreiro e guiador de bois ou candeeiro, também desapareceram.
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