
Fazenda Ribeirão São Domingos
A edificação da sede da "Fazenda da Dona" é um raríssimo exemplar da arquitetura colonial rural no município de Itabira. Conta a tradição local que o nome Fazenda da Dona se deve à sua primeira proprietária, uma portuguesa cujo nome era desconhecido na região; daí chamarem a propriedade de "Fazenda da Dona". A tradição local ainda diz que a planta da edificação seria cópia da casa que sua primeira proprietária possuía em Portugal.
Construção
datada do século XVIII, foi objeto de inúmeras
reformas, porém mantém a arquitetura original.
Destaca-se, ainda, no interior da construção, um
oratório em madeira, em estilo rococó, de singela
beleza.
Das
edificações do Vale do Rio Quebra-Ossos, a sede da
Fazenda da Dona é a construção de maior valor
histórico e artístico, pela datação, pelo
estilo arquitetônico e pelo estado de preservação.
A propriedade pertenceu a João Augusto Guerra, José
Simão Gonçalves (Zezim Simão) até 1964 e
a Harcy Lage, até 2006, quando do seu falecimento.
Inventário
realizado pela prefeitura de Itabira, datado de 08/09/98, assim
descreve a edificação:
Segundo
tradição local, o nome da "Fazenda da Dona"
está ligado a sua primeira proprietária, uma portuguesa
a que chamavam "Dona", tendo esta denominação
permanecido desde o século XVIII. A fazenda foi construída
a cerca de 220 anos. Segundo o atual proprietário, que conta
que havia uma telha datada de 1780, já desaparecida. O atual
proprietário a adquiriu do Senhor José Simão
Gonçalves em 1964.
A construção é colonial, de partido irregular em forma de "L" sendo que este "puxado" lateral esquerdo é um acréscimo posterior. Possui 2 pavimentos avarandados com guarda corpos em balaustradas de madeira, 26 cômodos e ainda um porão.
Um destaque da fazenda é o Oratório de São Domingos, situado no interior da edificação, no segundo andar, em área nobre na sala de visitas. O Oratório é em madeira em estilo rococó. Outro destaque é uma janela em treliça que faz a comunicação entre a sala de jantar e a despensa, que era usada como "buffet" de doces. Internamente a edificação conserva seu agenciamento espacial íntegro e parte dos revestimentos originais.
Possui
telhado de telhas cerâmicas curvas em quatro águas no
corpo principal e duas águas no "puxado" lateral,
possuindo guarda pó em frisos de madeira.
Estrutura autônoma de madeira com pano de vedação em pau-a-pique e também tijolos cerâmicos (objetos de reformas posteriores), rebocada e caiada, com embasamento de pedra. Portas com enquadramento de madeira, vergas em arco abatido na fachada frontal e retas nas demais fachadas, esquadrias de madeira de abrir e vedação também em madeira, sendo almofadada na fachada principal. Janelas de peitoril e também rasgadas por inteiro nas salas, enquadramento de madeira e vergas em arcos abatido e também retos, esquadrias e vedação de madeira do tipo abrir. Demonstra generosidade e apuro estético com enquadramento de vãos suavemente trabalhados.
Essa
descrição permanece válida e é importante
acrescentar que a edificação passa no momento por outra
reforma, o que mostra a preocupação dos proprietários
pela manutenção e conservação do imóvel.
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