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História

Para entender como surgiu a Estrada Real é necessário retornar ao período do Ciclo do Açúcar, em São Paulo.

Após o declínio do Ciclo do Pau Brasil; durante a segunda metade do século XVI, início do XVII; surgiu o Ciclo do Açúcar. Foi durante o período que compreende esses dois Ciclos que alguns grupos incursaram pelo interior brasileiro, principalmente, em busca de mão de obra indígena para o trabalho escravo.

Esses grupos - não oficiais - conhecidos como Entradas, eram compostos, também, por nativos de origem mameluca (mistura de homem branco com índio). Os mamelucos herdaram, de seus antepassados, habilidades que o destacavam dos outros durante suas expedições por lugares antes não explorados, por isso sua participação nas Entradas foi importante.

Nessa época, já era do conhecimento de parte da população da região sudeste, que havia montanhas de ouro no interior do Brasil, mas isso ainda era considerado lenda para eles, sendo assim o interesse em explorá-las não era grande.

Como medida preventiva e no intuito de barrar qualquer exploração indevida que provocasse prejuízo para a Coroa, essa resolveu delegar grupos oficiais para adentrar o interior brasileiro e descobrir novas possibilidades. Esses grupos eram denominados Bandeiras. Um dos primeiros grupos de bandeirantes a partirem da Capitania de São Paulo para o sertão, em 1674, era liderado por Fernão Dias Paes; junto com seu filho, Garcia Rodrigues; e seu genro, Borba Gato.

Durante o trajeto, os bandeirantes estabeleceram caminhos, pontilhando-os com roças e pousos, o que tornou o percurso menos precário e contribuiu para o surgimento de novos exploradores. Foram nesses locais que, posteriormente, eles fundaram os primeiros arraiais.

Após alguns anos, com a escassez da mão de obra indígena, provinda da falta de material humano devido às grandes batalhas travadas entre as tribos e os Entradas, e com o declínio da produção açucareira esses exploradores e aventureiros passaram a buscar outras atividades rentáveis no sertão brasileiro. Dentre elas, a exploração de metais preciosos, antes tidos como fábula.

Os primeiros exploradores encontraram ouro – conhecido como ouro de aluvião – em rios e riachos na região da atual zona da mata mineira. O ouro das minas só foi encontrado posteriormente. Com a comprovação e divulgação da descoberta dos metais preciosos, principalmente ouro, houve um deslocamento de grande parte da população paulista para as localidades mais ao norte da colônia portuguesa.

O desenvolvimento dessa população dependia de condições para infra-estrutura e materiais de primeira necessidade como alimentos e vestuário. Foi então que apareceram os tropeiros – homens encarregados de transportarem, pelas estradas já trilhadas, produtos de necessidade básica para os exploradores.

A partir daí, surgem novos povoados e caminhos trilhados por esses tropeiros. Um dos principais trajetos utilizado por eles foi o que Fernão Dias Paes fez. Ele ligava São Paulo de Piratininga às vilas do vale do Paraíba do Sul e ficou conhecido como caminho geral do sertão. Com a descoberta do ouro nas bacias do Rio das Velhas, do Rio Doce e do Rio das Mortes, o caminho geral se estende da região de Vila Rica de Ouro Preto (atual Ouro Preto) até o porto de Paraty e muda de nome, passa a se chamar Caminho Velho.

Com a invasão desenfreada na região das minas, a Coroa Portuguesa se viu obrigada a estabelecer critérios que controlassem a exploração das jazidas e a permanência dos ambiciosos. Foi então, que em 1698, ela criou medidas legais com o propósito de exercer controle e fiscalização no acesso às minas, na extração do ouro e na instalação de mais pessoas na região. Uma dessas decisões era criar um novo trajeto que ligasse a Baía de Guanabara a região das minas. A intenção era abrir uma via oficial que encurtasse o período de viagem de três meses para 25 dias.

Entretanto, essas medidas não foram tão eficazes frente à situação que se desenrolava na região das minas. Pessoas vinham de toda parte, principalmente, das capitanias paulistas e nordestinas em busca do metal precioso encontrado em abundância no sertão da colônia. Em 1700, a Coroa, mais uma vez, implanta essas medidas de uma forma mais rígida, mas também não obtém êxito.

No final do século XVII começam os trabalhos de abertura do novo caminho. Dessa vez, quem liderou a empreitada foi Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias Paes. Começa a surgir a Estrada Real, caminho oficial instituído pela Coroa Portuguesa para o transporte da produção aurífera - do sertão para o litoral - e dos produtos necessários à população instalada no interior. Com uma extensão de cerca de 1400km, a obra foi concluída por volta de 1709. Porém, os viajantes e as tropas que por ali passaram, criticaram muito essa nova via, pois a inviabilidade e a falta de segurança, próximo a Serra do Couto, região da atual Petrópolis, eram perceptíveis. Mas, mesmo assim o trajeto foi aceito devido ao conforto proporcionado e ao tempo economizado.

Em 1711, devido ao fluxo migratório e de transporte incontroláveis, os arraiais recentemente criados se transformaram em vilas como: a Vila do Ribeirão do Carmo, Vila Rica de Ouro Preto, Vila Real de Nossa Senhora de Sabará. Em torno dessas vilas também foram criados povoados. Isso proporcionou uma certa autonomia administrativa que teve como conseqüência a criação da Capitania das Minas Gerais, então desmembrada do controle da Capitania de São Paulo.

Com o boom populacional e econômico nessa região, a necessidade de suprimentos externos e produtos de primeira necessidade foi primordial. A atividade agrícola local não era suficiente para abastecer toda a população que se instalara e a nova via de acesso, apesar de já estar pronta, ainda não era reconhecida pela Coroa como um caminho oficial. Os paulistas que permaneceram em São Paulo se aproveitaram dessa situação e superfaturaram os produtos que eram transportados para a nova capitania, tornando-se grandes exportadores na época.

Porém, em 1720, a Coroa Portuguesa determina trajeto exclusivo pelo Novo Caminho, o que proporcionou a facilidade do transporte comercial entre as Capitanias de São Sebastião do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Isso fez com que a primeira se tornasse importante exportadora dos suprimentos externos para a segunda, superando São Paulo.

Essa nova via ficou conhecida como Estrada Real ou Estrada da Corte. Outra medida tomada pela Coroa foi a de construir um atalho que substituísse o trajeto da Serra do Couto. Esse desvio foi concluído em 1725 e ficou conhecido popularmente como Caminho do Inhomirim, Caminho da Estrela ou Caminho do Proença; o nome oficial era Atalho do Caminho Novo. Essa variante tinha início no Cais dos Mineiros, atual Praça XV, no Rio de Janeiro.

O Caminho dos Diamantes foi criado duas décadas após a instituição do Novo Caminho. Mas, mesmo assim, ele não pode ser considerado um prolongamento do Caminho Novo, pois apresenta características, valor histórico e econômico próprios.

A grande diferença em relação aos outros Caminhos, é que esse trajeto era utilizado apenas regionalmente, ou seja, servia para escoar toda a produção aurífera e diamantífera da região do Serro Frio e do Tijuco (atual Diamantina) para Vila Rica.

Essa via de acesso foi de extrema importância no âmbito da Capitania de Minas Gerais, já que por ela passava toda a produção das pedras preciosas mais cobiçadas em direção a Vila Rica, depois para o porto do Rio de Janeiro e de lá direto para Portugal.

A Coroa Portuguesa estabeleceu esses trajetos oficiais que serviram para transportar mercadorias e riquezas. Entretanto, vale lembrar que esses caminhos não transportaram somente bens materiais. Transportaram também, junto com as pessoas que por eles passaram, ideais. E um desses era o de transformar o Brasil em uma república independente. Foi por querer e lutar por essa independência, e para servir de exemplo ao restante da população para que eles não continuassem a luta iniciada por este mártir, que algumas partes do corpo de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), após seu enforcamento e esquartejamento, foram expostas em pontos estratégicos da Estrada Real.

Foi a partir desses fatos que essa colônia Portuguesa sofreu, no século XVIII, profundas transformações social, política e econômica que repercutem até hoje no Brasil. Exemplo disso é que muitos comerciantes saem de Minas Gerais para fazerem compras em São Paulo, além do mais, os turistas estrangeiros que vem conhecer a região mineira chegam ao Brasil pelos porto e aeroporto do Rio de Janeiro.

Atualmente, a Estrada Real é composta por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo.

www.almg.gov.br/bancoconhecimento/Monografias/Estrada%20Real.pdf



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